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VOEPASS E A SIMULAÇÃO DO ATR 72-500: GELO COMO FATOR CRÍTICO
VOEPASS operava o mesmo ATR 72-500 no Tocantins e suspendeu voos em Araguaína antes do acidente.
FERNANDO HESSEL - Palmas, TO
| Atualizado em
PALMAS, TO - A Força Aérea Brasileira divulgou neste domingo (8) uma animação em computação gráfica que recria os eventos críticos que antecederam a queda do ATR 72-500 operado pela Voepass. A simulação, desenvolvida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), utiliza dados da caixa-preta e faz parte da investigação preliminar das causas do acidente que resultou na morte de 62 pessoas no último dia 9 de agosto em Vinhedo, São Paulo.
A animação mostra alguns dos indicadores e alarmes que apareceram no painel dos pilotos antes da tragédia, com uma simplificação dos instrumentos disponíveis para a tripulação. Antes do acidente, os pilotos tinham conhecimento sobre a possibilidade de formação de gelo severo entre 12 mil pés (3.657 metros) e 21 mil pés (6.400 metros), enquanto a aeronave voava a uma altitude de 17 mil pés (5.181 metros), de acordo com o plano de voo.
O voo decolou de Cascavel (PR) às 11h58. Mais de uma hora depois, às 13h18, a tripulação informou ao comando aéreo de São Paulo que estava pronta para iniciar a descida. No entanto, o controle aéreo pediu para manter a altitude devido ao tráfego de outra aeronave abaixo. Às 13h20, foi autorizada a movimentação da aeronave para a posição de descida (SANPA), com o pouso previsto para dois minutos depois.
Apesar das condições adversas, incluindo gelo severo e turbulência, a tripulação não declarou emergência. Às 13h21, a aeronave perdeu o controle e iniciou uma descida anormal. A simulação mostra que, momentos antes da queda, o detector eletrônico de gelo ativou um alerta, e o sistema de degelo das asas foi acionado, seguido por um alerta de queda de velocidade.
A sequência de alarmes incluía um alerta sonoro e visual de piora no desempenho. A aeronave realizou uma inclinação à direita conforme permitido, mas começou a vibrar e foi emitido um aviso para aumentar a velocidade. Um alarme de "stall", indicando perda de sustentação, foi seguido por uma brusca inclinação à esquerda, possivelmente um movimento involuntário dos pilotos.
A aeronave então fez uma inclinação abrupta à direita, com o nariz apontando para baixo, e começou a girar para a esquerda, dando cinco voltas em "parafuso chato" antes de colidir com o solo. Esse movimento foi registrado em vídeo por testemunhas.
Cronologia do voo:
- 11h58: Decolagem de Cascavel com 58 passageiros e 4 tripulantes.
- 12h12: Sistema de degelo das hélices é ativado.
- 12h14: Alerta de gelo é acionado pelo detector eletrônico.
- 13h11: O detector eletrônico de gelo exibe repetidos sinais de alerta.
- 13h18: A aeronave inicia a aproximação para Guarulhos e é autorizada a voar para a posição SANPA.
- 13h21: Perda de controle e descida anormal da aeronave.
TOCANTINS COM ATR-72
Além disso, a Voepass, que operava o ATR 72-500 envolvido no acidente, tinha também esse tipo de equipamento em operação entre Palmas e Araguaína. A VoePass, anteriormente conhecida como Passaredo, era a única empresa a operar no Aeroporto de Araguaína. No entanto, a companhia suspendeu suas atividades na cidade a partir do dia 11 de abril, com previsão de retorno em julho. A empresa oferecia apenas três voos semanais para o aeroporto, que tem enfrentado atrasos, cancelamentos e tarifas elevadas, conforme queixas dos consumidores.
O Aeroporto de Araguaína está em obras há mais de 10 anos e nunca voltou a operar com o mesmo movimento de antes da década de 2010, quando contava com cinco companhias aéreas e voos diários de jatos. Segundo a empresa, a interrupção dos voos foi necessária para readequação da malha aérea.
